Em 1973 o Palmeiras vinha de uma sequência invicta de 22 jogos (16 vitórias) pelo Campeonato Brasileiro e perdeu 3 jogos seguidos.
A campanha de 1973 foi infinitamente superior a campanha de 2009, mas o time perdeu 3 vezes seguidas no meio do campeonato como agora.
O time de 1973 se consagrou campeão (aliás bi-campeão) naquele ano.
Não é a hora de jogar de jogar a toalha.
O supertime de 1973 também teve 3 derrotas seguidas, se aquele supertime perdeu 3 seguidas, o time de hoje perder 3 seguidas não é o fim do mundo.
O VERDE é a cor da ESPERANÇA e é a cor do PALMEIRAS.
Estou muito puto com o que está acontecendo com o time, desanimei, não minto, mas no final de semana descansei e percebi o quanto o Palmeiras é importante para mim.
Lembrei dos anos 80, quando eu me tornei palmeirense e como era dificil ser palmeirense nos anos 80 e isso nunca me desanimou, sempre fui palmeirense com muito orgulho.
Lembrei de quando era criança e o quanto eu chorei na final perdida de 86 para o Inter de Limeira, não conseguia parar de chorar quando o sonho de ver meu time campeão foi por água abaixo e tive esperar mais 7 anos para ele se realizar.
Lembrei também que sempre fui supersticioso e uma vez no Brasileiro de 87, 88 ou 89, não me lembro direito o ano, eu vi na TV o Léo Bastista afirmar que o Palmeiras estava com a faca e o queijo na mão para se classificar. Eu virei para minha mãe e perguntei o significava "estar com a faca e o queijo na mão" ela me respondeu o que era. Mais tarde nesse campeonato o Palmeiras acabou que nem se classificou para as finais, mesmo com a "faca e o queijo nas mãos", desde então passei a odiar essa expressão.
Como não esquecer a minha primeira ida ao Maracanã para um Palmeiras X Flamengo em 88 que terminaria com o centroavante Gaúcho no gol e defendendo 2 penaltis e depois no mesmo ano um Palmeiras X Bangu em Moça Bonita, que terminaria empatado e depois o Palmeiras perderia para o Bangu no penaltis. Jogos que chorei e esperniei muito para meu pai me levar para assisitr, que depois de muita insistência ele resolveu me levar, o de Moça Bonita nem foi um grande esforço, pois da minha casa até o estádio levava no máximo 20 minutos de ônibus.
Lembro que apostei na escola minha "merenda" no jogo contra o Flamengo e ganhei, naquela época para mim ficar sem a merenda da escola, significava ficar o dia sem comer. Nunca vou esquecer do meu amigo flamenguista Reinaldo pagando a aposta e eu no refeitório comendo 2 pratos de comidas feliz da vida.
Lembrei de como era legal e divertido ser o único Palmeirense da escola, durante todo meu primário e ginásio no Rio de Janeiro. Eu não me chamava Renan, meu nome era Palmeirense, todo mundo me chamava assim.
Lembro que só em 1990 (aos 12 anos), depois de muita insistência eu ganhei uma camisa do Palmeiras do meu pai, era uma falsificada da pior qualidade possível, o verde era todo estranho, mas eu adorava aquela camisa, eu vestia ela quase todos os dias com todo o orgulho. Usava aquela camisa para jogar bola na rua, para ir a praia, para jogar taco, para soltar pipa. Eu só parei de usar essa camisa em 1992, quando em vi em uma pequena loja de artigos esportivos em Campo Grande (bairro do Rio), uma camisa do Palmeiras na vitrine e fiquei namorando aquela camisa o ano inteiro, mas não tinha dinheiro para comprar, até que um dia o dono da loja que tinha reparado que este moleque que voltava da escola todo dia com uma camisa do Palmeiras toda surrada (eu colocava a camisa do Palmeiras no lugar do uniforme logo que eu descia do onibus*, todos os dias, era um ritual) ficava ali observando a tal camisa do Palmeiras, então ele vendo que eu não tinha condição de comprar a camisa resolveu me "vender" a dita por um preço especial, porém eu não tinha nem condição de compra-la por tal preço, e ele propôs fazer um rolo com a camisa pela minha mochila que era da Company (Uma marca boa da época), aceitei na hora para desespero da minha mãe, que quase foi da loja para desfazer a troca. Detalhe, a tal camisa do Palmeiras que eu achava linda, era uma camisa da Penalty igual a camisa de jogo, tinha o escudo bordado e no lugar das estrelas era bolinhas e não eram 8 eram 6. A camisa era bem melhor que a minha, era um verde bonito, igual ao dos anos 80. Só fui descobrir que a tal camisa não era oficinal quando eu me mudei para São Paulo.
Lembro que ainda em 1992, o Palmeiras me fez chorar pela 2a. vez na vida, foi quando perdeu o campeonato paulista para o São Paulo no final do ano, eu tinha 14 anos e chorei na frente da TV quando o vaca tinha ido para o brejo, ainda lembro que mesmo chorando, comemorei o gol do Zinho e achava que ainda dava para virar,(a esperança não durou nem 1 minuto) só a ingenuidade de um garoto de 14 anos faz isso. Ainda tive que aguentar a zoação de todos Flamenguistas, Vascaínos, Tricolores e até Botafoguenses da minha rua, que vieram na porta da minha casa só para encher meu saco. Foi a 1a. vez que eu vi uma final de campeonato paulista sendo transmitida ao vivo para o Rio de Janeiro e infelizmente o Palmeiras perdeu essa final.
Lembro também que foi no ano seguinte que eu chorei por causa do Palmeiras pela 3a. vez, foi no primeiro jogo da final do Campeonato Paulista. Fui na antiga Geral do Morumbi, ali atrás do gol e não dava ver nada, Morumbi estava lotado e a torcida do Palmeiras conseguiu ganhar na Arquibancada da torcida do Corinthians momentos antes dos jogo, a polícia deu mais espaço para eles, mas os palmeirenses chegaram em peso momentos antes do jogo (como sempre) e a polícia não teve jeito senão ceder mais espaço para a Torcida do Palmeiras, quem estava ali no Morumbi aquele dia sabe que isso é verdade. O clima era o melhor possível e o Palmeiras perdeu aquele jogo por 1 a 0. A diferença foi que dessa vez eu não chorei sozinho, tinha dezenas de palmeirenses que assim como eu após o jogo ficaram ali sentados no chão incrédulos e chorando também.
[caption id="attachment_478" align="alignnone" width="570" caption="Capa do Ingresso da Final de 93**"][/caption]
Foi a pior semana da minha vida, queria voltar para o Rio e sumir de São Paulo, mas história terminou feliz para nós na semana seguinte ali na mesma Geral (só que do outro lado), eu vi o Zinho fazer o gol mais comemorado da minha vida e vi o Palmeiras ser campeão pela primeira vez na minha vida, eu estava lá como testemunha da História.
Depois de 93, nunca mais chorei por conta do Palmeiras, pelo menos de tristeza, nem em 2002 eu chorei com a queda para a Série B.
Mas tenho que registrar meu último choro por conta do Palmeiras e foi em 1999 no Palestra Itália na final da Libertadores, foi quando o Zapata chutou aquele penalti para fora, foi como se saisse uma tonelada das minhas costas, a tensão foi grande naquele jogo. No final não me contive, já não era mais uma criança, tinha 21 anos, mas não me aguentei, chorei, mas foi um choro de muita emoção e alegria, foi a primeira vez que chorei de alegria na minha vida inteira por qualquer razão e quem me deu essa razão foi o Palmeiras. Não desanimei este jogo inteiro, por nenhum instante, nem eu, nem ninguém que ali estava nesse dia.
Se depois de tudo que eu passei, de tudo que o Palmeiras me fez passar, não são 3 derrotas seguidas que vão me desanimar, não posso entregar os pontos, nem o Palmeiras.
Jogadores e Muricy, a bola está com vocês, não desanimem, não desacreditem, existem milhões de palmeirenses que acreditam em vocês, nesse momento em algum lugar do Brasil deve ter um menino de 15 anos que assim como eu em 1993, acreditou, torceu, acompanhou, chorou pelo Palmeiras. Ele está depositando todas suas fichas em vocês, pois o palmeirense acredita, torce, vibra. Somos a Torcida que Canta e Vibra.
Vocês estão com a chance de fazer história e nós acreditamos em vocês.
Então vou esquecer os últimos 3 jogos, vou apagar eles como se eles nunca tivessem existidos e só vou pensar daqui pra frente, numa corrente positiva para os próximos 7 jogos, os próximos 7 jogos serão os jogos mais importantes da MINHA VIDA e espero que sejam os mais importantes da vida de vocês também.
EU ACREDITO EM VOCÊS! EU ACREDITO NO TÍTULO O 9 DA NOSSA HISTÓRIA.
PALMEIRAS A MINHA VIDA É VOCÊ!
* Naquela época aluno de escola pública uniformizado não pagava passagem de qualquer ônibus de linha no RJ.
** O comprovante do ingresso do 2o. jogo virou mingau depois que pulei nas piscinas do Parque Antárctica com roupa e tudo para comemorar o título de 93. Acho que foi a única vez na história do clube que o Palmeiras abriu as portas do clube para qualquer palmeirense (Não sócio) fazer a festa. Até um pedaço de grama do Palestra eu levei para casa nesse dia, 12 de junho de 1993. Um dia inesquecível.
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2 comentários:
Caramba. Chori aqui lendo seu depoimento. Eu também ACREDITO!
Renan: Palmeirense que é Palmeirense sabe que nada é fácil para nós, tudo vem com muita luta, suor e dedicação. Somos a Torcida que Canta e Vibra sempre.
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